2007/02/17

2007/02/13

Ricos, mas pobres

Cada um de nós tem a sua própria identidade, é um facto. Mas podemos facilmente encontrar grupos com comportamentos semelhantes na sociedade, desde os mais humildes aos mais sofisticados.
Imaginemos um rapaz do interior, filho de dono de uma mercearia de aldeia, normalmente o tipo mais rico do sítio a seguir ao trolha que emigrou e se transformou em empreiteiro.
Este rapazola começou de pequenino a roubar chocolates lá da mercearia e, mais tarde, a meter a mão na gaveta da “massa” para sacar umas notitas necessárias para umas incursões às discotecas. Mal fez 18 anos, vai de tirar a carta de condução, independentemente do curriculum de faltas e más notas na escola. O Pai compra-lhe um carrito em 2ª mão, o que frusta as suas expectativas de obter um BMW descapotável novo, mas não se dá por vencido. Sabendo que o pai tem conta na oficina do Zé Chouriço, o rapaz consegue “artilhar” a máquina, que fica a dar “ cento e duzentos”. Os anos passam, o filho do comerciante, cresce, inscreve-se num partido e torna-se director-geral de uma empresa pública.
Vejamos agora a evolução do filho de um professor de Liceu.
Habituou-se desde criança a observar as tertúlias de fim de semana lá em casa, sempre que o pai convidava alguns amigos para um jantar. Nesses encontros apartidários, falava-se de tudo, desde a genialidade de Mozart até ao estado indecoroso em que políticos corruptos e incompetentes colocaram este país. Foi crescendo neste ambiente, esforçou-se por conhecer cada vez mais e melhor e licenciou-se em História e Filosofia. Conseguiu um emprego de escriturário na Associação lá da terra e, quando esta deixou de receber subsídios do Estado, caiu no desemprego.
Mais vale um burro esperto do que um inteligente convicto.

2007/02/07

Cinderela

Este texto foi-me enviado por mão amiga. Desconheço o autor, ao qual peço as devidas desculpas, caso esteja a publicá-lo indevidamente.

Como contar a história da Cinderela às crianças de hoje para que não nos chamem "Kotas".

" Há bué da time, havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a chunga da madrasta e as melgas das filhas dela.
A Cinderela (Cindy p'ós amigos), parecia que vivia na prisa, sem tempo para sequer enviar uns mails.Com este desatino todo, só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta fazia-lhe bué da cenas.É então que a Cindy fica a saber da alta desbunda que ia acontecer: Uma rave!!!A gaja curtiu tótil a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases.
Ela ficou completamente passadunte, mas depois de andar à toa durante um coche, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda baita bacana, ela ficou a parecer uma g'anda febra. Só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater das 12.Tás a ver, meu?A tipa mordeu o esquema e foi para a borga sempre a bombar.
Ao entrar na party topou um mano cheio da papel, que era bom como milho e que também a galou logo ali.Aí a Cindy, passou-se dos carretos, desbundaram "ól naite long", até que ao ouvir as 12,ela teve de se axandrar e bazou.O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de frosques e foi atrás dela, mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura de um chispe que entrasse no chanato. Como era um ganda cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para grande desatino das outras fatelas que ficaram a anhar.Fim: Tá-se bem.

A Marmita

O Sinfrónio Afrânio levou consigo a marmita ainda quente, com a bifana que sua Genoveva lhe tinha preparado logo de manhã. O trabalho árduo de 1º Ministro obrigava-o a não sair do local de trabalho para almoçar, pelo que a marmita era uma companhia quase diária.
Tinha casado com a Genoveva há 16 anos, quando se preparava para terminar o curso do ensino básico na escola de Ranhetas, para onde se deslocava descalço, com umas sandes de chouriço que a mãe lhe preparava para o lanche.
A esposa, oriunda de famílias do jet 2, trabalhava na tasca do Felismino, local onde conheceu o Afrânio que por lá passava amiude, para entornar umas garrafas de tintol pela garganta abaixo.
Um dia, depois de apanhar uma bebedeira fenomenal, saltou para cima de uma carrinha na feira, roubou o microfone ao vendedor e começou a dizer mal do Governo. Foi assim, de forma brilhante, que entrou para o mundo da política.
Foi subindo à custa de subsídios, até que chegou a Presidente do PTP (Partido dos Trolhas Petisqueiros), garantindo assim, a candidatura a 1º Ministro.
Durante a campanha eleitoral fez muitas promessas, pelo que facilmente conseguiu a maioria absoluta.
Com a arte do desenrascanço bem arreigada, o nosso Afrânio, fez exactamente o contrário do que prometeu e vai de aumentar os impostos, retirar regalias aos trabalhadores, tudo em nome de uma recuperação económica só para os bolsos de alguns.
Estou orgulhoso de ser português.
Ganda Afrânio, pá!

2007/02/03

Do Baril

O “puto”, sentado no degrau de pedra da escada que dava acesso ao jardim, fazia alguns comentários atrevidos às “pitas” que por ele passavam dirigindo-se à aulas da manhã naquela escola da cidade que os vira nascer.
As “chavalitas” cruzavam-se com ele, aumentado o ritmo dos seus passos, ao mesmo tempo que dele escondiam o leve sorriso que lhes provocavam as “bocas”.
Ele, olhando nervosamente para o relógio, aguardava com impaciência pelo 2º toque que lhe daria acesso a um “feriado” caso a “setora” faltasse.
O seu desejo concretizou-se e o dito pensou para consigo:
- “Baril”! Vou “curtir bué da bem” o “feriadito”!
E lá foi ele, a “curtir uma de estrada” em direcção ao cyber ali ao lado, para “curtir” uma jogatana na net.
Lembrei-me do meu tempo de Liceu, quando as palavras me surgiam desencadeadas, na “bisga”, com “montes” de floreados e “n” histórias para recordar.

2007/02/02

Dedicado a Guida

Corre de mansinho um veio de água pura, sem medida ... um encontro calmo entre a quietude, a calma, o remanso de um rio e a macieza dura de um aconchego tardio ...
Corre de mim o momento em que por artes do meu pensamento a tua capa se confunde com o título da minha paxão ....
Corre, atrevida, sentida, qual fogo da alma sofrida de mim, em teu regaço de esperança ... a mudança ...
Corre.

Toladas ...

Todas as manhãs acordo a pensar se será nesse dia que não irão haver toladas na minha cachimónia, mas isso nunca acontece.Por um lado, seria esse o meu desejo, mas por outro lado já estou tão habituado, que o hábito passou a vício e já nem consigo passar sem levar meia dúzia de tóladas todos os dias.Logo que me levanto, bato com a tóla na cabeceira da cama. A seguir, levo uma tólada na banheira, outra no exaustor, quando preparo o pequeno almoço, e por aí fora ... durante o resto do dia é que elas doem mais ... aparece o aviso das finanças e pimba! ... vem o chefe e zás! ... vem a secretária e tongas!...Caros(as) .... ajudem-me a deixar o vício.Sempre à espera.

Carros chineses

A hipótese de Portugal poder vir a construir os económicos carros chineses ganhou ontem um importante avanço durante a visita de José Sócrates à China. A revelação foi feita por Basílio Horta, embaixador português junto da OCDE, que foi contactado por um dos maiores industriais do sector automóvel chinês. “Eles querem entrar na Europa e disseram que têm Portugal na agenda.”
(“Correio da Manhã” 2/02/2007)

A importância desta notícia não pode passar despercebida pela dimensão ortorrômbica e tridimensional da mesma.
Senão, vejamos: Os “chinocas” fabricam uns carros dos quais nunca ninguém ouviu falar e muito menos viu sequer, apesar de não ser difícil imaginá-los.
Assim, um carro chinês deve ter, pelo menos, três rodas para se manter de pé. Terá, também, um volante, uns sacos para guardar o arroz, umas luzes fluorescentes porque é muita giro e, em vez da tradicional buzina de um ou dois tons, terá um apito polifónico com uma canção do Emanuel para afugentar os peões incautos que se atrevam a colocar-se na sua frente. Claro está, acessórios todos em plástico fininho, daquele que se parte em lascas para personalizar a imagem de marca.
Quanto às dimensões, os carros serão fabricados para condutores atarracados, porque o espaço nas cidades é curto, e há que poupar nas medidas.
Os preços irão variar entre os 3 € nas versões base até aos 37 € nos topos de gama mais sofisticados, já com direito a travão e acelerador, também em plástico.
Todas as versões vêm equipadas com balões coloridos a que os chineses chamam muito apropriadamente “airbags”, e que servem para os condutores os irem enchendo à medida que o tempo passa nas filas de trânsito das nossas cidades.
Estejam atentos ao lançamento das viaturas. Eu quero ser o primeiro a possuir um carro chinês para ajudar o nosso governo na concretização de mais uma brilhante ideia.

2007/02/01

Medicamentos

O nosso Sócrates anda muito entusiasmado com o bem que faz às pessoas. Este arauto das reformas sociais, apesar de homónimo de muito conceituado filósofo da antiguidade, desaba em jorros de “intelijumência radical”, e surpreende os portugueses (e as portuguesas, como, tão hipocritamente os meninos do seu partido se referem às mulheres) com ovos de Colombo inimagináveis.
Lembrou-se o dito que os medicamentos deviam baixar de preço, esquecendo-se que a sobrevivência da indústria farmacêutica está em causa, os farmacêuticos não ganham para as lâminas de barba e as farmacêuticas deixaram de comer sopa, porque as suas carteiras não chegam aos legumes.
Vai daí, e corta 6% no preço dos medicamentos. É um “tipo porreiro”, este José!
Mal os portugueses (e as portuguesas) iniciavam o seu júbilo, o Zezinho não foi de modas. Toca a baixar as comparticipações nos medicamentos em 5%.
E diz o meu vizinho de frente: “Este Sócrates é um visionário …”
Deixo os comentários que me bailam na massa cinzenta à vossa imaginação, dada a conjuntura de palavras e frases não recomendáveis a quem quer continuar a manter a cabeça levantada.
Bem dizia o meu piriquito: “Olha que a matemática não é uma ciência exacta … não confundas”.
O meu piriquito é que tinha razão.